A magnífica Feia, uma nobre ilha buziana adormecida num horizonte azul...

A magnífica Feia, uma nobre ilha buziana adormecida num horizonte azul...
Feia? Bom, só o nome...Os navegantes que a batizaram não a viram de onde a gente sempre a vê: dos domínios verdejantes do território buziano, tal como são as praias de Azeda e Azedinha, uma Área de Preservação Permanente. Isto é: ocupação zero %.Cumpra-se, pois a Azeda e a Azedinha é uma APA (por decreto municipal) e uma APP (por decisão judicial). !

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Quem sou eu, ou melhor, que buziano seria eu?




Eu me chamo Carlos de Carvalho Marques, o Gulle e para aqueles que desejam conhecer um pouco de minha história como cidadão buziano e um de seus homens públicos, leiam por favor o que se segue:


Em 31 de março de 1958 nasci no então esquecido, pacato e abandonado 3º Distrito de Cabo Frio – Armação dos Búzios -, e tão logo dei os primeiro passos, os buzianos que conviviam ao meu lado, carinhosamente iriam me chamar de Gulle, ao invés de Carlos.


Minha origem, a portuguesa, vinha da parte de pai e a nativa, por parte de minha saudosa mãe, sendo bisneto do laborioso Cassiano - antigo morador da paradisíaca praia da Azeda e tendo como avô, o não menos famoso, Pauzênio Rodrigues de Carvalho, conhecido mais pelo apelido: "Boquinho". Era meu avô Pauzênio, um dos bons pescadores locais, e que fora dono do barco de pesca de nome Paulicéia.


Até os 14 anos, fui obrigado, tal como a maioria dos jovens adolescentes buzianos, a trabalhar na pesca artezanal, onde através da rede da canoa Esperança, puxada na praia dos Ossos, vinha ser o meu principal rendimento, mas pelo qual ajudava no sustento de minha família. Em seguida, fui obrigado a me deslocar para Cabo Frio, para dar continuidade aos meus estudos. Nessa mudança obrigatória, percebi claramente como Búzios – sendo um distrito pobre e dependente de Cabo Frio - era muito carente em matéria de oferecer aos seus filhos, boa e completa escolaridade.


E se nos faltavam escolas para nos instruir condizentemente para um futuro mais promissor, o que falar sobre o atendimento na área da saúde?...Foi uma triste constatação, mas esse processo de dificuldades em que os buzianos viviam em decorrência da tirânica dependência de Búzios em relação a Cabo Frio, iria influenciar no futuro, meus objetivos, os quais foram sonhados e se concretizaram com a independência política e admistrativa de Armação dos Búzios.


Em Cabo Frio além de estudar, trabalharia na farmácia Drogamar. Após a proveitosa experiência nesta tradicional farmácia de Cabo Frio na qual fiquei por quatro anos, eu fui chamado para trabalhar no UNIBANCO - no setor administrativo - exercendo a função de supervisor, sendo uma de minhas atribuições, o de fazer o fechamento da contabilidade bancária diária.


No trabalho bancário, me deparei com uma de minhas vocações inatas: uma fácil desenvoltura voltada para os serviços administrativos. Isto certamente, é um de meus atributos de minha natureza pessoal, que herdei de meus valorosos antepassados que habitaram Armação dos Búzios, num tempo de sacrifícios pessoais e muita carência material. Quem conhece a história de Búzios, desde o tempo meu bisavô Cassiano, que administrava ao mesmo tempo, sua lavoura no morro da praia Azeda, a pescaria no mar e ainda achava tempo para tomar conta de seu gado, sabe do que estou falando...


E com a minha saída do UNIBANCO, utilizei a indenização trabalhista para adquirir um caminhão de carroceria, o que seria uma fonte de geração de rendas; mas sempre esteve a serviço da população de Búzios; pois eu o emprestava para fazer mudanças e pequenos serviços. Em suma, pagavam pelos serviços prestados, somente aqueles que podiam...


Comecei a exercer a vida pública antes da emancipação de Búzios, pois fui comissionado a melhorar o atendimento médico local; tendo como primeira missão: descentralizar os serviços de saúde, otimizando o atendimento do Posto de Urgência de Manguinhos e reabrindo o ambulatório Dr. Paulo Acherman, na rua Turíbio de Farias. Em seguida, trabalhei na concretização da instalação do primeiro Módulo de Médico de Família no atual bairro de Cem Braças e na época, não demorou, para que este importante serviço (Programa Médico de Família) fosse estendido para o Posto de Saúde da Rasa.


Eu tive o privilégio de ser um - entre os muitos dedicados moradores nativos - que contribuíram eficazmente para a campanha de emancipação de Armação dos Búzios. E após o antigo Distrito de Cabo Frio, conquistar a sua independência política e administrativa, comecei a atuar como assessor no primeiro mandato do Executivo municipal. Foi nesse momento que surgiu o sonho de contribuir de forma mais efetiva para o desenvolvimento sócio-econômico da sociedade buziana; ou seja, a de me tornar um de seus vereadores.


Engajado assim, na vida política-administrativa de Armação dos Búzios, isto me veio gerar genuíno interesse no Legislativo municipal; pois Armação dos Búzios sendo a mais nova cidade do Rio de Janeiro, ainda tinha muito que ser construído, principalmente em relação a elaboração de leis para reger a nosso convívio sócio-cultural e o nosso desenvolvimento econômico.


Em outras palavras, eu desejava me tornar em um dos formuladores de boas e eficazes políticas públicas para o desenvolvimento do povo buziano como um todo. Portanto, tinha chegado à hora em que era preciso dedicar definitivamente meu tempo e minha capacidade intelectual à Política.
Se comecei a gostar de Política, era então da opinião de que as pessoas devem militar nas coisas de que gostem, mesmo que vivemos em um tempo de descrença absoluta na política e nos políticos, onde as pessoas tem muita resistência. O desencanto com os políticos é muito grande. Mas renovar os nossos quadros políticos é essencial. De modo que precisamos ter compromissos com o processo eleitoral e político em Búzios, pois precisamos ver sempre a política como atividade dedicada a possibilitar a vida coletiva, como luta para instituir um poder democrático, viabilizar o melhor governo e distribuir justiça.


E embora não tenha sido eleito, amadureci a visão de que o bom político - o político que se coloca da perspectiva dos cidadãos - não pode iludir as pessoas ou manipular suas esperanças. De modo que eu estou sempre disposto a dignificar de forma consistente a atividade política e me envolver profundamente com os assuntos que dizem respeito à vida coletiva buziana. Mesmo que ainda não tenha sido eleito vereador, construí uma biografia: pois acredito que todo político deve ter uma biografia e uma atuação pública capaz de revelar o teor de seus compromissos com o bem estar da coletividade, seus vínculos e relacionamentos, seus apoios e seu modo de agir na sociedade.


No segundo mandato do Executivo municipal – o segundo da história do novo município fluminense - fui indicado para atuar na gerencia da Agência de Desenvolvimento Local. Era tudo que eu desejava, pois assim poderia de fato me envolver no desenvolvimento da minha querida Búzios, uma vez que a Agência de Desenvolvimento Local era um órgão executor da política do então governo estadual, criada para dar apoio ao desenvolvimento dos municípios do interior do Estado do Rio. Era de minha responsabilidade identificar as necessidades de serviços essenciais nas áreas de saúde, educação, saneamento, segurança, infra-estrutura e entre outras necessidades de interesse coletivo buziano.


E tão logo assumimos este cargo, com o qual me identificava profundamente, uma vez que nos capacitava a buscar reais soluções para os nossos problemas, conseguimos para a Secretaria de Saúde de Armação dos Búzios, através do governo estadual, duas ambulâncias. Em suma, como Agente de Desenvolvimento Local, estava nas minhas mãos, a oportunidade de me empenhar efetivamente para fazer inúmeras solicitações ao Executivo estadual, de serviços essenciais que faltavam em nossa cidade.


De nossa parte, foi elaborada a primeira solicitação para se instalar um Grupamento do Corpo de Bombeiros na cidade. Na época, também solicitei a implantação de todos os projetos que a Secretaria de Pesca estadual pudesse oferecer aos nossos pescadores, a exemplo do Módulo para a Fabricação de Gelo e seu Armazenamento.


Visando a capacitação de nossos jovens, entabulamos o pedido ao governo do Estado para a implantação de um Centro de Informática e um Centro Profissionalizante na cidade. Também exigimos a implantação do Ensino Superior a Distância. E atuamos persistentemente na solicitação da implantação do Ensino Supletivo no Colégio João Oliveira Botas.


Pleiteamos e conseguimos a instalação de um núcleo da Fundação Leão XIII, o qual foi inserido no espaço do antigo Detran e começou seus trabalhos com a distribuição de leite para crianças e idosos com necessidades especiais. Conseguimos também a implantação de um programa para a distribuição do passe especial para idosos e portadores de doenças crônicas. E conseguimos melhorar as instalações para a modernização do sistema de Identificação Civil, quando sob nosso pedido, o governo estadual instalou em Búzios, um Núcleo de Habilitação, também no antigo Detran, no centro de Búzios.


Mas entre todas as conquistas atuando como representante do Estado no município, e a que me deu grande alegria, foi à conquista da ampliação e reforma do nosso querido Colégio João de Oliveira Botas, na Praia da Armação. Nesta reforma, praticamente fora feito um novo colégio.


Se deixei de atuar como Agente de Desenvolvimento de Búzios, mas logo fui eleito Presidente da Associação da Rua da Brava, cargo através do qual lutei por melhorias sociais que viessem não só a beneficiar a comunidade local (Bairro da Brava), como também as comunidades próximas, tais como a dos Ossos, Armação, Centro e até da Vila Caranga e esse objetivo encontrava-se no projeto de instalação do Módulo Médico de Família da Brava. E ainda, como presidente daquela Associação, solicitei ao Executivo municipal a total urbanização da rua Alfredo Silva (Rua da Brava), visando valorizar um dos mais antigos espaços urbanos de Búzios.


Acredito que como sempre pautei por um pacífico convívio com toda a população buziana, eu vim ser chamado pelo executivo municipal para exercer o cargo de Superintendente do Orçamento Participativo, objetivando criar condições para que as comunidades através de suas Associações de Moradores viessem indicar as suas prioridades junto ao governo municipal. Eu tinha a missão de auxiliar as Associações de Moradores no sentido de torná-las aptas para realizarem convênios a fim de que fossem instalados em suas comunidades - os Módulos do Sistema de Médico de Família.
No momento, atuo como Assessor de Gabinete no atual governo. É uma posição pela qual, eu tive como solicitar ao Executivo municipal, a necessária drenagem do bairro da Brava e Mangue( centro da cidade). Obras realizadas com sucesso, já que nas últimas chuvas, não foram detectados nenhum problemas no sistema de drenagem.

Atualmente, também exerço o cargo de Presidente do PPS (Partido Popular Socialista) de Armação dos Búzios. E recentemente, através de uma reunião com o nosso grupo político, foi sugerido um pedido formal ao deputado Comte Bitencourt (presidente estadual do PPS), para a inclusão no orçamento anual, da aquisição de duas ambulâncias (assistência móvel de urgência e emergência). Solicitação esta, que foi atendida, sendo aprovada pela Comissão de Orçamento da Assembléia Legislativa do RJ para o ano de 2008. Valor para a aquisição dos dois veículos: 250 mil reais.


Quero finalizar dizendo, que falar em promoção da cidadania buziana todos falam. A questão é saber se todos os homens públicos de Armação dos Búzios, exercendo cargos no Legislativo (seja na oposição ou não) e no Executivo, estão mesmo valorizando a nossa cidadania e criando condições efetivas para a sua ampliação. Pois esta também seria a “política com muita política”, a política dos cidadãos, ou seja, daqueles que prezam seus direitos e defendem os direitos de todos, que têm noção clara das obrigações comuns e se preocupam em participar da construção de uma convivência pacífica e superior em Armação dos Búzios.


Carlos de Carvalho Marques - GULLE